Acho que essa história ilustra bem o que eu quero dizer. Há também, claro, o exemplo clássico do Ozzy comendo o morcego e criando a fama de "malvadão" que lhe rendeu alguns bons milhões.
Pois é. Na última segunda-feira (onze de agosto de dois mil e oito), gravei A Valsa em uma sessão de gravação que poderia muito bem dar uma dessas histórias (nada tão bom quanto "morcegofagia" ou comidas enlatadas, claro).
No fim de semana anterior, contraí uma dor de garganta - provavelmente amidalite - que me deixou derrubado inclusive na segunda-feira. Fui gravar ainda passando meio mal e com dores no corpo. A guitarra havia acabado de ser regulada. O resultado da regulagem não era animador. Haroldinho Mattos, nosso luthier de confiança, disse "Arrumei o que tinha de ser arrumado. Acho que vai ajudar, mas não resolve. Você usa essa guitarra com uma afinação diferente e isso faz com que ela desafine naturalmente se você apertar com muita força as cordas". Para quem já foi baixista (eu, no caso), fica difícil não apertar com força as cordas da guitarra. Além disso, como a "afinação diferente" d'A Valsa usa algumas cordas mais soltas, a própria palhetada, se for mais forte, já faz a corda oscilar a afinação.
Muitas dificuldades e eu não conseguindo me concentrar direito por causa da maldita dor de garganta. Para piorar a falta de concentração, minha queridíssima e caríssima Srta. Guiga Ciccarini havia desaparecido. Saiu do trabalho e não deu notícias. Em casa, na UnB, no trabalho, ninguém sabia dela. No celular, a mensagem de que estava fora de área. De início, não me preocupei. Mas, quando foi se aproximando o fim da noite, comecei a desesperar e acabei por mobilizar uma força-tarefa de amigos para encontrar a supostamente desaparecida Srta. Guiga Ciccarini enquanto eu tentava gravar.
Guitarra que desafinava sozinha. Amidalite. Desaparecimento de entes queridos. Eu precisaria de um milagre pra me focar e gravar sem grandes problemas.
Gravei uma trilha enquanto testava o timbre da guitarra. Parei de gravar. Liguei para alguém da minha mini-força-tarefa de resgate. Ouvi um pouco da trilha. O técnico de som não estava presente; resolvia problemas ao telefone. Um dos outros caras do estúdio veio apertar o rec para mim. Regravei a trilha. A base inteira da música, tocada com a chave do captador para baixo. Dessa vez, valendo. Terminei. Mais um telefonema e o desespero aumentava. Ouvi a trilha e estava ok. Em uma tomada, a música estava gravada. Voltei a gravar. O dobro da base inteira da música. Dessa vez, a chave do captador posicionada para cima. Mais um telefonema, mais desespero. O dobro estava bom também. Em uma tomada para cada trilha, a música que parecia impossível para uma noite pessoalmente tão desastrosa estava gravada.
Assim que terminei de gravar, o técnico de som reapareceu. Começamos a ouvir e tudo parecia dentro dos conformes. Enquanto ouvíamos, recebi um telefonema. Era minha amada desaparecida, que perguntava "O que foi que tá todo mundo me procurando?". Passado o desespero, gravei umas trilhas avulsas com alguns detalhes para dar um charme à música, inclusive uma imitação na guitarra do som de telefone ocupado - cortesia da inspiração trazida pela preocupação da noite. Infelizmente, o desgaste físico e emocional me impediu de prosseguir com os trabalhos após isso e entrar na próxima e última base a ser gravada.
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Se já falei aqui antes o quanto as gravações de Sede e de Nanana renderam, pois gravei cada uma em cerca de 2h, imaginem o quanto não rendeu a gravação d'A Valsa. Entre telefonemas e gravações, concluí a base da música em mais ou menos meia hora. O curioso é que as três foram gravadas em momentos de problemas pessoais intensos e um dos melhores resultados obtidos foi exatamente com Sede.
A verdade é que tudo, até agora, está muito satisfatório. Sinto-me muito melhor preparado para essas sessões de gravação do que me sentia quando começamos a gravar. O momento é outro, as músicas amadureceram um bocado.
E está tudo próximo de acabar. Em breve, só faltará colocarmos essas belezinhas para a avaliação pública nos palcos da cidade.
Fiquem em paz,
apreciem Michael Phelps,
não usem drogas,
acessem nosso site (o Sapo está uma gracinha colorido de chedar),
assistam a Do Over,
ouçam Fountains of Wayne,
gs
3 comentários:
Os altos e baixos não somente são bons para gravar / tocar. São excelentes fontes de composição de letra e música. E CA_RA_LEO! Meia hora pra gravar uma música eh MTO rápido!
UEHIAEUHEAIUHAE
Parabéns garoto! Vamo que vamo!
Em tempo:amarelo cheddar!?HAHAHAHAHAHAHA
eu mereço mesmo!
UIEHIAEUHEAUHAEIUHAEIUAEHIAUEH
e que bom que no final deu tudo certo!!!!!
Só vc consegue me fazer chorar!
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