quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um pouco de atenção ao pleito do meu peito

Meus filhos,



Cheguei a uma encruzilhada na minha vida.

Escrevo o que quero escrever, faço o que quero fazer, canto o que quero cantar... ou faço o que se espera que eu faça?

"Ai, que cansativo isso. Esse cara não vai crescer nunca, sempre nessa lenga-lenga? O que tanto se espera de você?", alguns perguntarão.

Fato. Sou um disco riscado recheado de canções imaturas. Indo além, eu sou só mais um zé-ruela com um sonho que lhe rasga o peito e disposição pra dar a cara a tapa. Não só musicalmente, mas em diversos aspectos a minha vida. Mediocrezinho, mediocrezinho. Mais um, não "1", não "1º", não "o". Só mais um.

Foda prum leonino admitir uma coisa dessas.

Eu sou o cara cheio de potencial do colégio. Aquele que todos apontavam e diziam, "esse aí vai longe". Que achou que todas as portas do mundo iriam se abrir pra ele passar, fazer e acontecer. Eu sou o cara que se gabou das expectativas nele depositadas; que ficou sentado, esperando as coisas caírem do céu. Que achou que, não importa o que escolhesse, se daria bem, teria rios de dinheiro, sucesso, poder. Que hoje, não faz a mínima idéia de que caminho seguir, tendo tempo demais pra pensar e fazer besteira.

Estranho pressentir que desperdicei 1/4 da minha vida . 1/4, numa projeção otimista, supondo que eu chegarei aos cem. Bem, melhor do que pensar que o desperdício já chega à ordem de 1/3. Ou pior, 1/2...

Se eu cair morto agora, ficarei bem puto comigo, já que insisto em acreditar em alma, céu, inferno, e outros valores metafísicos, extracorpóreos. O que fiz na minha vida? O que fiz com a minha vida? Até agora?

Tentei, tentei, tentei, continuo tentando. Quebrei a cara, quebrei a cara, quebrei a cara, continuo quebrando a cara.

"Que que é isso?", dirão vários. "Você é um cara privilegiado, tem saúde, uma vida confortável, pôde ter estudo, se formou, se dá o luxo de não usar seu diploma, vive às custas dos pais, tá reclamando do quê, playboy de merda?".

Pois é. Talvez me faltem mais tapas na cara pra acordar, pra me tirar da inércia, pra fazer vencer o sedativo. Talvez todos os problemas, os perrengues, desamores, perdas e tragédias que enfrentei tenham sido proporcionalmente "poucos" se contrabalanceados aos "muitos" que a vida me deu. Mas pra minha pele, foram tantas, "muitas", suficientes pra tingir de cinza o céu cor-de-rosa que algumas pessoas devem achar que cobre a minha cabeça.

Por quê o que eu quero é o que eu não posso ter? (que, que, que, que, que, que, que...)

Por quê eu não me contento em perseguir o que as pessoas que-parecem-ser-felizes-das-janelas-dos-seus-carros parecem ter perseguido? E conseguido?

Por quê me cai tão bem o papel do pobrezinho, do coitadinho, do mártirzinho dessa história patética?

Por quê, San Martin?

Por quê, São Mártir, arauto da patuscada, da patacuada, da encruzilhada?

Por quê?

Acho, porque as certezas andam escassas, que é porque eu simplesmente não consigo me enxergar como o mediocrezinho que eu sei que sou, mas que não aceito que sou, nem me contento em ser.

Acho que é porque eu quero provar pra mim mesmo que eu posso ser aquele cara que pintavam nos retratos do meu futuro. Que podia conseguir o que quisesse, que chegaria longe, que teria rios de dinheiro, sucesso, poder.

Acho. Não, tenho certeza, uma escassa certeza de que o sonho que me rasga o peito é o mesmo sonho que me fará brilhar dentre todos os meus irmãos grãos de areia. Que esse sonho, o mesmo sonho que tantos outros sonham, é mais forte e vibrante, e me dará coragem pra continuar tentanto e quebrando a cara quantas vezes forem necessárias.

Cantando pra turbas de dez pessoas, em tablados de 2X2, sem ouvir aplausos, sem ouvir minha própria voz.

Até conseguir. Até chegar lá. Até balançar minha juba no palco, e ouvir a multidão cantando as músicas que eu escrevi.

Até conseguir tampar esse buraco que eu tenho no peito, que não me permite ser empresário, juiz, ministro, presidente da Coca-Cola, desta República ou de outra qualquer.

Que me empurra pro papel e caneta, pro violão, pro palco. Que me arremessa no abismo de incertezas, que dramalhão, que é tentar, até conseguir.

"Conseguir o quê?", perguntam.

Tudo, eu respondo.

Tudo. Começando por você. Já ouviu Woohoos! hoje?



Bryan St. Martin

Um comentário:

Bruno Medeiros disse...

Heeeeeeeeeeey! "Já ouviu Woohoos! hoje é minha!" hahahahaha
Zueira!

Eh meu filho. Sei do primeiro ao último parágrafo o que vc sente! Afinal estamos nesse mesmo barco juntos dando as nossas respectivas caras à tapa!!!

Eu acho que a gente tem que ir correndo atrás, tocando ali e acolá e se apresentando nos tablados 2x2. Uma hora chega o nosso momento!!! Aí que a gente vai ter que ter as caras de seguir, de ver quem vai e quem fica, de partir pra outra fase!!!

Eu já desisti de fazer sucesso "ontem". Acho a idéia utópica. Mas ele virá. Questão de tempo. Afinal que banda que estourou com 1 ano de real de existência???

Mas vamo que vamo, afinal 2009 é Woohoos!

PS: ALiás, essa idéia de " começando por você" e "já ouviu woohoos hoje" dá uma ótima letra de música que poderia ser entitulada Woohoos!. Algo falando da gente, do nosso som...Iron Maiden em Iron Maiden segue por aí...hehehehhe

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