Meus filhos,
Segue minha análise da última apresentação.
Local: Rayuela (412 Sul)
Data e Hora: 17 de Novembro, Segunda-Feira, 21:40h
Selist:
Hit The Road Jack (Ray Charles)
Bye-Bye
Feliz
NDOTP
A Seta e o Alvo (Paulinho Moska)
As Rosas Não Falam (Cartola)
Dor e Prazer
Fatos e Fatos
Black (Pearl Jam)
Volta
Análise:
Outro dia, antes do festival Planeta Terra, li uma entrevista com o baterista dos Kaiser Chiefs. Nela, ele dizia que eles dependiam do entusiasmo do público para tocar bem.
Bem, acho que o mesmo se aplica aos Woohoos!
Vamos aos fatos.
Chamamos os Deuses da Kaaba pra dividir a data com a gente. Eles levariam amplificadores pras guitarras, nós levaríamos bateria e amplificador pro baixo.
O amplificador do baixo... uma relíquia que estava quase dada como perdida, pertencente ao Guiga. Tinha acabado de voltar do conserto. Funcionou bem durante a passagem de som, mas recusou-se terminantemente a ligar na hora do show.
Atribuo a esse fato a responsabilidade de ter sido o ponta-pé inicial de uma apresentação que eu gostaria que não tivesse acontecido.
Pois bem, no sábado, descobrimos que a ponte do baixo do Bernardo estava empenada, o que "imprestabiliza" o instrumento. Por esse motivo, Bernardo tocou com um baixo emprestado pelo Gabriel, dos Bois de Gerião.
Pra melhorar a situação, eu estava com uma dor de garganta filha-da-puta. Tomei vitamina C suficiente prum mês, cepacaína, própolis, chazinhos dos mais variados sabores... em vão.
Por esse motivo, elaborei uma setlist que eliminava as músicas com mais punch, das quais eu não daria conta nem fodendo.
Tocamos numa segunda-feira, o "domingo" noturno de qualquer cidade que se preze. Chega o fim do dia, todo mundo quer ir pra casa descansar, ninguém pensa "ah, vou assistir o show de uma bandinha nova". Talvez numa quarta, nunca numa segunda.
Graças ao falecimento do amplificador, o baixo teve que ser conectado ao sistema P.A. , disputando espaço com minha voz e com o eventual violão.
Começamos o show com Hit the Road, Jack e Bye-Bye. Foram bastantes para que eu perceba que a maioria dos presentes (cerca de 25 pessoas) não tinha gostado nem um pouco da nossa performance. Eu tentei me aproximar do público, mas sua frieza e apatia fizeram com que todo meu ânimo voasse pela janela. Resultado: a partir daí, piloto automático.
Sem sacanagem, eu poderia parar a análise neste ponto, assim como eu tive vontade de parar o show. Se assim o tivesse feito, teria terminado a noite sem me sentir um bosta fracassado. Mas não vou parar de escrever, assim como insisti em continuar cantando.
Feliz e NDOTP, fracas. Nesse ponto, ao acabar de tocar as músicas, ficava olhando pras pessoas com cara de pidão, implorando por alguma manifestação, por alguma aceitação. Nada. Nada espontâneo, pelo menos. Os aplausos chegavam com um delay de quase 10 segundos, uma eternidade que esfregava na minha cara o fracasso daquela noite.
Prosseguindo, A Seta e o Alvo. Bela música. Não funcionou ao vivo. Não com a gente. Parecíamos uma decadente banda de churrascaria ruim. Quem quer que tenha ouvido, foi a primeira e única execução da música por esta banda.
As Rosas Não Falam foi um sopro de ânimo, mas já era tarde pra mim. O baixo-astral já tinha me contaminado de tal forma que não conseguia me entusiasmar nem um pouco. Não me baixou o santo. O santo já tinha ido pra cama - segunda-feira, sabe?, ele tem que acordar cedo na terça...
Dor e Prazer, correta. Fatos e Fatos sofreu com a minha falta de voz, soou pouco convincente. Após sua execução, fomos comunicados de que tínhamos somente mais duas músicas pra tocar. Assim, Sede e Nananana foram sumariamente cortadas da setlist, abrindo espaço pra "cereja da torta" da noite: Black.
Digo com toda a sinceridade que me cabe: sempre achei essa música um saco. Mas, sendo o Guiga um fã incondicional da trupe do Eddie Vedder, achei coerente sua escolha. Devo tê-la ouvido cerca de 100 vezes entre o sábado e a segunda-feira, até poucas horas antes do show (minha irmã pode testemunhar em meu favor).
Ainda assim, não decorei a letra da música. E isso ficou bastante evidente. Comecei esquecendo os dois últimos versos da primeira estrofe, depois fragmentos do refrão, até que sarcasticamente Black se tornou um grande branco na minha cabeça. Esse momento do show parece ter sido o único em que o público se divertiu com os Woohoos! Alguns cantavam a letra da música, outros gargalhavam. Eu me resignei a fechar os olhos e dar risada. Fazer o quê? Vesti a carapuça, pintei a minha cara, coloquei nariz vermelho e encarei o picadeiro...
Fechamos o show tocando Volta na velocidade 10, mais rápida que a bunda auto-consciente da Mulher Melancia. Atropelada. Mal tocada. Mal cantada. Horrível.
Sem sombra de dúvidas, nossa pior performance.
Ou melhor dizendo, minha pior performance.
No que volto a citar a declaração do baterista dos Kaiser Chiefs. Os Woohoos! dependem do entusiasmo do público para tocar bem.
Sendo mais específico: eu dependo do entusiasmo do público para cantar bem. E confesso que dependo muito disso. A falta de público, sua apatia, sua antipatia, tudo isso me afeta muito. Eu fico travado, paro de me mexer, esqueço a letra das músicas...
Me faltam muito mais de 20 mil léguas submarinas de experiência para encarar o palco e suas adversidades com o profissionalismo e naturalidade necessários ...
Covardia, imaturidade, chamem do que quiserem. Mas prefiro acreditar que fiascos como o da última segunda-feira se devem à falta de público.
Do contrário, terei que aceitar que eu sou um merda sem talento algum.
Pouparei meus companheiros dos meus comentários, permitindo a cada qual sua auto-crítica.
Atribuo, assim, nota à minha performance e às condições gerais da noite.
Nota: 2,0
No mais, os Deuses da Kaaba fizeram uma bela apresentação. Gosto muito de suas performances, sempre bastante seguras. São bem conscientes do som um do outro, funcionam muito bem como banda, cuidando um do outro. Criativos, talvez acabem sendo (injustamente) rotulados de "Los Hermanos do cerrado". Na verdade, são muito mais do que isso.
Demonstram domínio de seus instrumentos e grande capacidade para elaborar belas melodias. Não tem malícia pop, mas tampouco parecem estar preocupados com isso. Porém, impossível ficar impassivo diante de uma canção como A Língua do Mar, que embora não seja pop, tem muito apelo. Já está no rol das minhas favoritas.
Abração!
Bryan St. Martin
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
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Um comentário:
o povo tava meio frio mesmo!
mas ainda acho que culpa da segunda feira, não dos Woohoos!
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