domingo, 2 de novembro de 2008

4º Show - Encerramento do Simulois - Galois - 01/11/08

Meus filhinhos,

Segue a análise do quarto show da banda. Algo extensa e melodramática, mas peço que leiam na íntegra.

Evento: Encerramento do Simulois (Escola-Show)
Local: Colégio Galois 902 Sul
Horário: 22:30h

Setlist:

Hit The Road, Jack (Ray Charles)
Bye Bye
Volta
Nananana
Não Deixe o Tempo Passar
As Rosas Não Falam (Cartola)
Feliz
Sobre Encontros e Despedidas
Toda História Chega Ao seu Fim (bis)


Análise:


Guardo sentimentos muito dúbios e conflitantes a respeito deste show, nossa primeira participação no Projeto Escola Show.

O local: ginásio esportivo do Colégio Galois. Encerraríamos o Simulois, que pelo que pude entender, é uma iniciativa da Unesco para que os estudantes passem a desenvolver consciência política, "simulando" a ONU. Contava com uma mini feira dos povos, com quitutes variados que visavam representar os países "simulados".

Nosso papel: encerrar o evento.

Recebemos o convite do Márcio Pinheiro na última quinta-feira, antes do show do Rayuela. Topamos na hora, lógico. Por alguns momentos, chegamos a acreditar que tocaríamos no GaloisFest, festival do Colégio Galois marcado para a mesma noite de sábado, que contaria com nomes já em destaque da cena musical de Brasília.

Bem, não foi o caso, obviamente.

Enfim, aos fatos.

Passamos o som às 17h e contamos com uma estrutura de som e palco excelentes. Profissionais atentos e eficientes tomaram conta do serviço, bem executado. Eu estava agitado, pois dali a uma hora teria que buscar meus pais no aeroporto. Mas eles perderam o vôo, o que permitiu que trabalhássemos com tranqüilidade.

Durante a passagem de som, a fonte dos pedais de efeito do Guiga queimou. Como o Sapo tinha que pegar sua mãe no Pipa Bar, fomos apenas eu, o Bernardo e o Guiga ao Shopping Pátio Brasil para comprar uma nova fonte. Para tanto, usamos o "troquinho" que faturamos no Rayuela.

21:30h, pontualmente, chegamos ao Galois. Circulamos um pouco, afinamos os instrumentos e, finalmente, por volta de 22:30h, começamos a tocar.

Tocamos essencialmente para rostos conhecidos, já que a enorme maioria dos participantes do evento que ainda restavam no recinto:
(1) tinham vontade de ir embora
(2) arrumavam suas coisas para ir embora
(3) estavam indo embora
(4) mostravam indiferença

Com certa tristeza, pude assistir às manifestações de tédio de alguns espectadores durante o show. Mas o que não mata, fortalece, certo?

Começamos com Hit The Road, Jack, seguida de Bye Bye. Alguns deslizes na nossa execução, mas OK. Seguimos com Volta e Nananana, bem executadas. Algumas pessoas dançavam e pareciam gostar das músicas.

NDOTP e As Rosas Não Falam contaram com a maldição do cabo do violão, que eu pisei diversas vezes, desconectando-o idem vezes. Nesse ponto, enquanto algumas pessoas se divertiam conversando entre si, inesperadamente, outras se aproximaram e formaram um grupinho à frente do palco.

Seguimos com Feliz, bacana, e Sobre Encontros e Despedidas, idem. Antes de SEED, o grupo à frente do palco insistia para que saltasse do palco, moshpit style. Me recusei, temendo ser vítima de uma brincadeira de mau gosto. Sinceramente, não acho que estava errado. O senso de auto-preservação falou mais alto.

O público pediu bis, tocamos THCASF. Fim de show, foto pra posteridade, viola no saco, fim.

No geral, a banda se mostrou mais segura e segurou a onda de tocar prum ginásio vazio. Sapo esteve irretocável, Guiga idem. Bernardo estava muito contido e meio inseguro no começo do show, mas acabou se encontrando.

Quanto a mim, tentei me movimentar bastante pelo grande palco, explorando novas possibilidades performáticas com o uso do pedestal do microfone. De fato, a cada show, fico mais confiante, com mais vontade de tentar coisas novas no palco, de testar a reação do público. Misteriosamente, minha boca estava incrívelmente seca, o que me fez beber, com facilidade, cerca de quatro litros d'água entre as 17h e o horário do término do show. Essa condição não atrapalhou minha performance vocal, felizmente. Minha insistência em pisar no cabo do violão precisa ser consertada. Num próximo show, isso será imperdoável.

Ainda não consigo me "conectar" eficientemente com o público. Refletindo e repassando o show na minha cabeça, sei que poderia ter aproximado melhor a banda das pessoas presentes. Falha grave, fruto da pouca experiência. Isso não acontecerá novamente.

Usei o mesmo figurino da quinta-feira e confesso que me senti meio ridículo, meio tiozão. O look que funcionou na quinta foi um desastre no sábado. Acho que transmitiu a idéia errada. Talvez esteja sendo muito auto-crítico. Posso estar enganado...

De toda forma, atentei ao óbvio: cada show é um show, sendo fundamental ter consciência do público. O que funciona num show pode não funcionar noutro, e vice-versa. O repertório precisa atender e apelar ao público presente; postura e imagem, idem.


Conclusão:

Ao passo que fiquei contente com a oportunidade de tocar nesse evento e com a possibilidade de mostrar nossas músicas a um público novo, me decepcionei com a pouca receptividade dos presentes e com o número de espectadores: pelos meus cálculos, flutuantemente, umas 50/60 pessoas, restando, ao fim do show, cerca de 30 pessoas. Descontadas as pessoas queridas que nos apóiam e estão sempre presentes, umas 15 pessoas ficaram até o fim, seja porque gostaram, seja porque suas mães ainda não tinham chegado para buscá-las. Independentemente de seus motivos, pareciam estar se divertindo.

Ironias à parte, continuo acreditando que estamos no caminho certo. Ganhando experiência, aprendendo a ser profissionais. Continuo irredutível quanto à nossa postura diante de covers: não somos uma banda de baile. Temos nosso trabalho autoral e devemos lutar para que este chegue ao ouvido da maior quantidade de pessoas possível.

Se tocarmos covers, que sejam inusitadas, coerentes à nossa bagagem, ao nosso estilo e proposta. É evidente que precisamos incorporá-los, mas nos nossos termos. Tenho muito orgulho de nossas músicas e das versões que fizemos de Hit The Road, Jack e As Rosas Não Falam. Aliás, esta música rendeu o único elogio espontâneo que ouvi após este show. Sendo inevitável tocar as músicas dos outros, que elas tenham a nossa cara, e sejam executadas à nossa maneira. Não acho que esteja errado por pensar assim.

Enfim, mesmo contando com um bela estrutura, tivemos pouco público. Mais pessoas ouviram nossas músicas, mas não estou certo se de fato as alcançamos. E apesar do tédio e indiferença de alguns, acho que atingimos nossos objetivos com esse show: estrear no Projeto Escola-Show e ganhar mais experiência de palco. De sobra, tivemos uma aula de como lidar com a rejeição e apatia do público.

Nota: 4,0


Agradecimentos especiais às compreensivas namoradas Woohoos! (Alice, Lívia e Polly, amamos muito vocês!), ao Buza (fiel escudeiro), à Lud (ruiva fã de carteirinha) e ao Marcelo (irmão do Guiga e aliciador de novas audiências). Sem sacanagem, é do apoio de vocês que depende a nossa coragem pra continuar seguindo em frente. Obrigado de coração.


Abração!

Bryan St. Martin